O Google Search Console ganhou um filtro novo no relatório de desempenho: dentro de Web, agora dá para separar “Com base em texto” de “Multimodal”. Multimodal é a busca que começa com uma imagem, uma foto ou uma captura de tela, como no Google Lens, no Circle to Search do Android, no envio de imagem na Pesquisa e no “pesquisar imagem” do Chrome.
Primeiro, uma correção de expectativa: não existe um botão para “ativar” a pesquisa multimodal no seu site. O filtro do Search Console só mede. O que você controla é o quanto o seu HTML, as suas imagens e as suas páginas estão prontas para serem encontradas e bem interpretadas quando alguém chega por uma foto.
Este guia é o checklist técnico disso: o que verificar no código, o que publicar, como validar e como medir. Tem HTML, XML e JSON-LD para copiar e adaptar.
Antes de mexer em qualquer coisa: crie a linha de base
Se o seu site já recebe tráfego multimodal, você quer saber quanto é antes de otimizar. Senão, depois não tem como provar o que mudou.
- Abra o Search Console e vá em Desempenho > Resultados da pesquisa.
- Em Tipo de pesquisa, escolha Web > Multimodal e aplique.
- Ajuste o período para os últimos 3 meses (ou o máximo disponível) e anote cliques e impressões.
- Agrupe por Páginas e exporte a tabela.
Duas observações honestas sobre esse dado. A primeira: o recurso está em liberação gradual, então pode ainda não aparecer na sua conta. A segunda: com o filtro multimodal ativo, a dimensão Consultas não fica disponível, porque essas buscas usam principalmente imagem e não há termo em texto para registrar. Você vai saber quais páginas recebem essas visitas, mas não qual busca as originou.
Se você ainda não usa a ferramenta direito, o glossário explica o que é o Google Search Console.
O checklist técnico
1. Imagem de conteúdo tem que ser <img>, não CSS
Esse é o erro mais comum e o mais barato de corrigir. O Google encontra imagens pelo atributo src do elemento img (mesmo quando ele está dentro de um picture) e não indexa imagens em CSS.
<!-- Bom: o Google enxerga e indexa -->
<img src="/img/cadeira-escritorio-preta.jpg" alt="Cadeira de escritório ergonômica preta com apoio de braço regulável">
<!-- Ruim: imagem só existe no CSS -->
<div style="background-image: url('/img/cadeira-escritorio-preta.jpg')">
Cadeira de escritório ergonômica preta
</div>
Se você trabalha com WordPress e Elementor, fique de olho: imagem definida como fundo de container ou section vira CSS. Para foto de produto, de serviço ou de ambiente que precisa ser encontrada, use o widget de imagem, que gera um <img> de verdade. Em Astro e Next.js, os componentes de imagem já geram <img>, mas vale abrir o HTML final e confirmar.
Servir a imagem certa para cada tela ajuda a performance e a responsividade. O cuidado é sempre manter o src como fallback, porque nem todo cliente entende srcset e picture.
<picture>
<source type="image/avif" srcset="/img/cadeira-800.avif 800w, /img/cadeira-1200.avif 1200w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px">
<source type="image/webp" srcset="/img/cadeira-800.webp 800w, /img/cadeira-1200.webp 1200w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px">
<img
src="/img/cadeira-800.jpg"
width="800"
height="600"
alt="Cadeira de escritório ergonômica preta vista de frente"
>
</picture>
Os formatos que o Google Search aceita no src são BMP, GIF, JPEG, PNG, WebP, SVG e AVIF. Mantenha a extensão coerente com o tipo do arquivo. E sempre declare width e height, para evitar salto de layout (CLS).
3. Alt text que descreve, nome de arquivo que ajuda
O Google usa o alt, a visão computacional e o conteúdo da página para entender o assunto da imagem. Escreva para uma pessoa que não está vendo a foto, com informação útil e sem enfiar palavra-chave.
<!-- Sem alt: perde contexto e acessibilidade -->
<img src="cadeira.jpg">
<!-- Keyword stuffing: pode ser lido como spam -->
<img src="cadeira.jpg" alt="cadeira cadeira escritório cadeira barata comprar cadeira gamer">
<!-- Bom -->
<img src="cadeira-escritorio-preta.jpg" alt="Cadeira de escritório ergonômica preta com apoio de braço regulável">
Sobre nomes de arquivo: cadeira-escritorio-preta.jpg é melhor do que IMG_0023.JPG ou 1.jpg. O sinal é leve, mas custa zero. Se tiver milhares de imagens, automatize a nomeação no pipeline. O glossário tem um verbete sobre alt text.
4. Contexto ao redor: figure, legenda e texto próximo
O Google extrai o assunto da imagem também da página, incluindo legendas e títulos. Coloque a imagem perto de texto relevante e em uma página sobre aquele assunto.
<figure>
<img
src="/img/painel-eletrico-quadro-distribuicao.jpg"
width="1000"
height="667"
alt="Quadro de distribuição elétrica aberto mostrando disjuntores identificados"
>
<figcaption>Quadro de distribuição residencial com disjuntores identificados por circuito.</figcaption>
</figure>
Imagem solta em página fraca, sem texto que a explique, é imagem difícil de associar a qualquer intenção.
5. Lazy loading sem esconder imagem do Google
Lazy loading é ótimo, desde que o src esteja no HTML e a imagem carregue quando entra na tela. O caminho mais seguro é o atributo nativo. Plugins que trocam src por data-src dependem de JavaScript e adicionam risco desnecessário.
<!-- Imagens abaixo da dobra -->
<img src="/img/detalhe-costura.webp" width="800" height="600" loading="lazy" alt="Detalhe da costura reforçada da bolsa de couro">
<!-- Imagem principal (LCP): nada de lazy, e com prioridade -->
<img src="/img/bolsa-couro-hero.webp" width="1200" height="800" fetchpriority="high" alt="Bolsa de couro caramelo com alça ajustável">
A regra prática: a imagem que é o maior elemento da tela inicial (LCP) nunca leva loading="lazy". A documentação do Google tem uma página só sobre conteúdo com lazy loading.
6. Sitemap de imagens
O sitemap de imagens serve para avisar o Google sobre imagens que ele talvez não descubra sozinho, como as carregadas por JavaScript. Você pode criar um arquivo separado ou acrescentar as tags ao sitemap XML que já existe.
<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<urlset xmlns="http://www.sitemaps.org/schemas/sitemap/0.9"
xmlns:image="http://www.google.com/schemas/sitemap-image/1.1">
<url>
<loc>https://seusite.com.br/produtos/cadeira-escritorio-preta/</loc>
<image:image>
<image:loc>https://seusite.com.br/img/cadeira-800.jpg</image:loc>
</image:image>
<image:image>
<image:loc>https://seusite.com.br/img/cadeira-lateral-800.jpg</image:loc>
</image:image>
</url>
</urlset>
Três pontos técnicos que importam:
- Hoje o Google só exige
<image:image> e <image:loc>. As tags <image:caption>, <image:geo_location>, <image:title> e <image:license> foram removidas da documentação, então não gaste tempo com elas.
- Cada
<url> aceita até 1.000 imagens.
- Se as imagens estão em CDN (outro domínio), tudo bem, desde que você verifique esse domínio no Search Console. Veja o que é CDN se precisar.
Em WordPress, plugins de SEO costumam incluir imagens no sitemap. Confira o XML gerado em vez de assumir. Em Astro ou Next, dá para gerar o arquivo por uma rota própria.
7. Não bloqueie as imagens no robots.txt
Um robots.txt herdado de outro projeto pode estar escondendo as suas fotos sem que ninguém perceba. Procure por regras que cubram as pastas de mídia:
# Isso impede o Google de rastrear as imagens do WordPress
User-agent: *
Disallow: /wp-content/uploads/
Se você usa CDN ou pastas de assets separadas, revise as regras dos dois lados. Bloquear a imagem é o jeito mais eficiente de garantir que ela nunca apareça em nenhuma busca visual.
Para páginas de produto, receita, artigo e outros tipos elegíveis, os dados estruturados ajudam o Google a ligar a imagem a informações concretas. Nos tipos que geram resultado rico, o campo image é obrigatório para a página ser elegível a selo e resultado rico no Google Imagens.
<script type="application/ld+json">
{
"@context": "https://schema.org",
"@type": "Product",
"name": "Cadeira de escritório ergonômica preta",
"image": [
"https://seusite.com.br/img/cadeira-800.jpg",
"https://seusite.com.br/img/cadeira-lateral-800.jpg"
],
"description": "Cadeira ergonômica com apoio de braço regulável e encosto em tela.",
"sku": "CAD-ERG-PT-01",
"offers": {
"@type": "Offer",
"price": "899.90",
"priceCurrency": "BRL",
"availability": "https://schema.org/InStock",
"url": "https://seusite.com.br/produtos/cadeira-escritorio-preta/"
}
}
</script>
Esse exemplo é o mínimo para ilustrar. Cada tipo tem exigências próprias, principalmente em listagem de comerciante. Valide no Teste de Resultados Ricos e no validador de schema aqui do site. Se quiser entender a base, o glossário explica o schema markup.
Você também pode indicar qual imagem representa a página com a propriedade primaryImageOfPage (em WebPage) ou com a propriedade image ligada à entidade principal, como um BlogPosting. Ao escolher essa imagem, fuja de logo, de imagem com texto e de proporções extremas. Prefira resolução alta e algo que represente a página.
9. Mantenha a URL da imagem estável
Se a mesma imagem é referenciada em várias páginas, use sempre a mesma URL. Assim o Google consegue guardar em cache e reaproveitar, sem pedir de novo toda hora. Evite gerar URLs diferentes para o mesmo arquivo (parâmetros aleatórios, tokens por requisição). Isso conversa com cache e com o orçamento de rastreamento do site.
Foto nítida chama mais atenção na miniatura do resultado, mas imagem pesada derruba a página. O equilíbrio é comprimir bem, servir AVIF ou WebP com fallback e dimensionar por tela. Meça no PageSpeed Insights e acompanhe os Core Web Vitals. Se o site anda lento, o artigo sobre WordPress lento: causas e diagnóstico e o de e-commerce lento mostram por onde começar.
11. A página de destino precisa resolver
Quem chega com uma foto normalmente quer uma destas respostas: o que é isso, onde compro, quanto custa, como uso, onde fica. Se a página ligada à imagem responde de forma direta, ela converte. Se é só uma galeria bonita, o clique morre.
- Produto: preço, disponibilidade, variações, prazo de entrega e política de troca visíveis no HTML.
- Serviço ou local: endereço, telefone, horário e mapa, com fotos reais do ambiente.
- Conteúdo: um parágrafo direto explicando o que a imagem mostra, antes do aprofundamento.
Como validar que está tudo certo
Depois de aplicar, confirme com evidência, e não por impressão.
1. Confira o HTML entregue. Veja se as imagens estão como <img> com src no código que o servidor devolve:
curl -s https://seusite.com.br/produtos/cadeira-escritorio-preta/ | grep -o '<img[^>]*>'
Se o comando não retorna nada mas o navegador mostra imagens, elas provavelmente estão sendo injetadas por JavaScript ou vindo de CSS. É um sinal de que vale investigar.
2. Use a Inspeção de URL. No Search Console, inspecione a página, rode Testar URL ativo e abra o HTML renderizado para ver o que o Google realmente enxerga.
3. Valide os dados estruturados. Rode o Teste de Resultados Ricos nas páginas de produto e de conteúdo.
4. Envie o sitemap. Em Sitemaps, adicione o arquivo e confira se foi lido sem erros. O artigo sobre auditoria de SEO tem uma lista mais ampla do que revisar.
5. Acompanhe o filtro multimodal. Volte ao Web > Multimodal depois de algumas semanas e compare com a linha de base, página por página. Use granularidade semanal ou mensal, porque o volume tende a ser pequeno e oscilar. A indexação das páginas também leva tempo, então não espere mudança de um dia para o outro.
Um detalhe para não se confundir: o Google Analytics, em geral, não separa tráfego multimodal como origem própria. O cruzamento é feito por página e por período.
Bônus: pesquisa multimodal dentro do seu próprio site
Tudo acima é sobre ser encontrado no Google. Se a sua ideia é o contrário, ou seja, oferecer busca por imagem dentro do seu site ou app, o desenho técnico é outro.
A base é a busca semântica com embeddings. Modelos multimodais, como os da família CLIP, transformam texto e imagem em vetores no mesmo espaço, o que permite comparar uma foto com uma descrição ou com outra foto. O fluxo fica assim:
- Gerar o embedding de cada imagem do catálogo (em lote) e guardar em um banco vetorial.
- Quando o usuário envia uma foto ou digita algo, gerar o embedding da consulta com o mesmo modelo.
- Buscar os vizinhos mais próximos e devolver os itens.
Em Postgres com a extensão pgvector, a consulta de similaridade é curta:
select id, nome, imagem_url
from produtos
order by embedding <=> $1
limit 10;
O operador <=> calcula a distância de cosseno entre o vetor do banco e o vetor da consulta. O restante é decisão de produto: qual modelo usar, como tratar imagens ruins e quanto custa manter os embeddings atualizados. É um projeto de integração e não uma configuração, e dá um artigo à parte.
Erros que mais vejo
- Fotos importantes como imagem de fundo de container.
robots.txt bloqueando a pasta de uploads ou a de assets.
alt vazio ou preenchido só com palavra-chave.
- Imagem principal com
loading="lazy", atrasando o LCP.
- Nome de arquivo tipo
IMG_2093.jpg em todo o catálogo.
- Dados estruturados sem o campo
image, ou com uma URL que não abre.
- Página de destino sem preço, endereço ou resposta clara.
Perguntas frequentes
Preciso ativar alguma coisa para aparecer na pesquisa multimodal?
Não. Não há configuração para ligar o recurso. O que existe é preparar o site com boas práticas de SEO para imagens e acompanhar os dados pelo filtro Multimodal do Search Console.
O filtro multimodal do Search Console altera o ranqueamento?
Não. Ele é uma ferramenta de medição. Só passa a mostrar separadamente um tráfego que já existia.
Por que não vejo as consultas no filtro multimodal?
Porque essas buscas usam principalmente imagens, e não há um termo em texto para registrar. A dimensão Consultas fica indisponível quando o filtro está selecionado.
Alt text é suficiente?
Não sozinho. O Google combina o alt, a visão computacional e o contexto da página. Alt bom ajuda, mas imagem rastreável, página relevante, texto próximo e performance completam o pacote.
Posso usar imagens em CSS se eu colocar alt no elemento pai?
Para conteúdo que você quer que seja encontrado, não. O Google não indexa imagens em CSS. Use <img> com src.
Sitemap de imagens é obrigatório?
Não é obrigatório, mas ajuda quando as imagens são carregadas por JavaScript ou estão em CDN e podem passar despercebidas.
Como fica isso em WordPress?
Use o widget de imagem, e não fundo de container, para as fotos que importam. Confira o sitemap do plugin de SEO, revise o robots.txt e valide os dados estruturados nas páginas de produto e de conteúdo.
Conclusão
A pesquisa multimodal não exige um SEO novo. Exige o SEO de imagens bem feito, que muita gente deixou de lado por achar que era detalhe: HTML rastreável, contexto na página, sitemap, dados estruturados e performance. O filtro do Search Console entra como o termômetro que faltava para saber se isso está trazendo visita.
Se você quer que eu revise o seu site com esse olhar, o serviço de SEO técnico cobre esse checklist e mais o que estiver travando a indexação. Também dá para começar conversando pelas formas de contato.
Para entender o contexto maior da mudança nas buscas, leia também por que o SEO técnico ainda importa com IA e como preparar seu site para ser citado por IA.
Referências
Google Search Central. “Google image SEO best practices”. Google LLC. Documentação oficial sobre como o Google descobre, indexa e exibe imagens, incluindo img, imagens em CSS, srcset, formatos suportados, alt text e dados estruturados. Disponível em: https://developers.google.com/search/docs/appearance/google-images
Google Search Central. “Image sitemaps”. Google LLC. Referência das tags do sitemap de imagens, limites por URL e tags descontinuadas. Disponível em: https://developers.google.com/search/docs/crawling-indexing/sitemaps/image-sitemaps
Google Search Central. “Fix lazy-loaded content”. Google LLC. Orientações para que conteúdo carregado sob demanda seja visível ao Google. Disponível em: https://developers.google.com/search/docs/crawling-indexing/javascript/lazy-loading
Search Engine Roundtable. “Multimodal Search Type Filter In Google Search Console Performance Report”. Barry Schwartz, 24 de setembro de 2026. Cobertura da liberação do filtro Multimodal no Search Console, com a descrição do Google e os recursos que ele abrange. Disponível em: https://www.seroundtable.com/google-search-console-multimodal-search-type-filter-42156.html
Ajuda do Search Console. “Relatório de Performance (resultados da Pesquisa): visão geral e configuração básica”. Google LLC. Documentação do relatório de desempenho, com métricas, dimensões e tipos de pesquisa. Disponível em: https://support.google.com/webmasters/answer/7576553?hl=pt-BR
Google Search Central. “Teste de Resultados Ricos”. Google LLC. Ferramenta para validar dados estruturados e a elegibilidade a resultados ricos. Disponível em: https://search.google.com/test/rich-results
PageSpeed Insights. Google LLC. Ferramenta para medir desempenho e Core Web Vitals de uma página. Disponível em: https://pagespeed.web.dev/